Musicalidade na dança: não é ter bom ouvido, é ter controle do corpo

Musicalidade na dança não é ter bom ouvido: é ter controle corporal para conversar com a música. No Método Dança Plena, isso está na qualidade Universo Rítmico, que ensina a controlar, acelerar e desacelerar o movimento com quatro ingredientes: pão, bolo, pão de queijo e chá.
Primeiro a parte rítmica, nos pés e no corpo. Depois a parte melódica, a expressão do corpo inteiro com a música.
"Eu não tenho ritmo." Depois de "eu não sei dançar", talvez seja a frase que eu mais escute de quem está começando. E quase sempre ela vem de uma ideia errada: a de que musicalidade é um dom do ouvido, e quem não nasceu com ele não tem jeito.
Não é assim.
Musicalidade é controle corporal
Musicalidade não é ter bom ouvido. É ter controle corporal.
No Método Dança Plena, a musicalidade está dentro de uma qualidade maior, o Universo Rítmico: o conjunto de ações que permitem controlar, acelerar e desacelerar o movimento. Na aula de forró em que apresentei as qualidades, eu descrevi assim: como ser um dançarino que tenha consciência musical e também consciência corporal, para se tornar um dançarino musical.
Ouvir a música é só o começo. Musicalidade é fazer o corpo responder ao que se ouve.
Fluxo e ritmo
Duas palavras que mudam a forma de dançar:
- Fluxo é regularidade. O movimento linear, contínuo, sempre igual. Depois de um tempo, fica monótono.
- Ritmo é irregularidade. Dinâmica, variação, mudanças de velocidade. É o que torna a dança interessante.
Quem só tem fluxo dança "certinho" e cansa quem assiste. Quem domina o ritmo escolhe quando acelerar e quando desacelerar.
E mais uma distinção: estilo não é ritmo. Estilo é o gênero, como forró ou samba. Ritmo é o andamento: lento, moderado ou rápido.
Os quatro ingredientes
Para ensinar musicalidade de um jeito que qualquer pessoa entenda, eu uso uma linguagem de cozinha. O método tem base no trabalho do professor Ernani Maletta, doutor em música pela UFMG.
| Ingrediente | O que é | Como fica no corpo |
|---|---|---|
| Pão | Pulso, o tempo | Um movimento por batida |
| Bolo | Subdivisão | Dois movimentos por batida |
| Pão de queijo | Contratempo | Rápido, rápido, lento |
| Chá | O bônus, muito lento | Um movimento a cada duas batidas |
O pão de queijo merece atenção: o rápido, rápido, lento é o padrão rítmico mais usado nas danças de salão.
Primeiro o ritmo, depois a melodia
A ordem importa. Musicalidade se ensina começando pela parte rítmica, o controle dos pés e do corpo. Só depois vem a parte melódica: a expressão do corpo inteiro acompanhando a música, as pausas, os acentos, as emoções.
Quem pula para a parte melódica sem controle rítmico dança "sentindo", mas não consegue repetir nem variar de propósito.
Liberdade é decidir
Liberdade não está em dançar do jeito que você quer, mas em decidir como você quer dançar.
E decidir exige controle. Existe uma frase que eu gosto muito: quem sabe dançar fora do ritmo sabe dançar de duas formas; quem só dança no ritmo, de uma. Sair do ritmo de propósito, e voltar quando quiser, é sinal de domínio, não de erro.
Seu treino desta semana
- Pão: numa música moderada, faça a marcação, um movimento por batida, durante a música inteira.
- Bolo: na mesma música, faça dois movimentos por batida por oito tempos e volte ao pão.
- Pão de queijo: treine o rápido, rápido, lento no dois pra lá e dois pra cá.
- Chá: numa música lenta, um movimento a cada duas batidas.
- No fim: dance uma música inteira alternando os quatro de propósito.
Os passos para aplicar os ingredientes estão em os 7 Passos Universais. E para ver como a velocidade da música muda a estratégia, leia como dançar forró para iniciantes.
Perguntas frequentes
Como dançar no ritmo da música?
Comece marcando o pulso, um movimento por batida, que é o pão. Quando isso ficar natural, experimente dois movimentos por batida, o bolo, e depois o contratempo, rápido, rápido, lento, que é o pão de queijo. Ritmo se treina pelo controle do corpo, não só pela escuta.
O que é contratempo na dança?
É a combinação rápido, rápido, lento, que eu chamo de pão de queijo. É o padrão rítmico mais usado nas danças de salão. Quem domina o contratempo consegue variar a dança sem sair da música, alternando momentos mais rápidos e mais lentos dentro do mesmo trecho.
Qual a diferença entre fluxo e ritmo na dança?
Fluxo é regularidade: o movimento linear e contínuo, que depois de um tempo fica monótono. Ritmo é variação: a dinâmica, as mudanças de velocidade, o que deixa a dança interessante. Musicalidade é saber alternar os dois de propósito.
Estilo e ritmo são a mesma coisa?
Não. Estilo é o gênero, como forró ou samba. Ritmo é o andamento, lento, moderado ou rápido. Dentro do mesmo estilo podem tocar músicas em ritmos diferentes, e cada uma pede uma estratégia de dança diferente.
Aprenda a dançar com as aulas completas
Musicalidade se aprende com música tocando. Nas aulas completas, você treina os quatro ingredientes no corpo.
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Professor Marcelo Grangeiro ensina dança há 25 anos e já atendeu mais de 54 mil alunos. Criou o Método Dança Plena e os 7 Passos Universais, e é diretor coreográfico do quadro Dança dos Famosos. Aqui ele escreve para quem quer aprender a dançar, do primeiro passo à pista. Conheça a trajetória.