Técnicas de movimento na dança a dois: perna de flecha, contrapeso, pivô, torção e cambrê

As técnicas de movimento são as TACs 06 a 10: perna de flecha, contrapeso e movimento fora do eixo, pivô com S e oitos, torções e dissociações, e cambrê. São elas que trazem beleza, equilíbrio e sofisticação à dança a dois.
Todas exigem a base dos fundamentos e progressão cuidadosa, principalmente o contrapeso e o cambrê.
Tem movimento que, quando a dupla acerta, a plateia inteira suspira. Uma inclinação que parece desafiar a gravidade, um giro que não para, uma perna que desenha uma linha perfeita. Quem vê de fora acha que é talento. Quem treina sabe que é técnica.
O segundo grupo das TACs, Técnicas de Ativação Corporal, reúne essas técnicas: as TACs 06 a 10, as técnicas de movimento.
Antes delas, os fundamentos. Nenhuma dessas técnicas funciona sem prontidão, projeção e equilíbrio.
TAC 06: perna de flecha
A perna de flecha é a perna lateral alongada e contraída, com o dedão no chão. Ela dá linha ao corpo e acabamento ao passo.
São cinco exercícios, em progressão: da extensão simples, passando pelo plié com extensão, até a elevação com rond de jambe. Sempre com a perna de suporte em plié, e treinando para a frente, para o lado e para trás.
TAC 07: contrapeso e movimento fora do eixo
O contrapeso usa a força entre os parceiros para afastar o centro de gravidade de forma controlada.
- Fiquem pés a pés, com os antebraços bem seguros.
- Os dois afastam o centro do corpo, como se fossem sentar num banquinho.
- O condutor projeta o quadril; a conduzida encaixa as escápulas.
- Voltem juntos, devagar.
Treinem de frente, de lado e de costas. É o mesmo princípio do terceiro eixo, o eixo compartilhado pela dupla.
TAC 08: pivô, S e oitos
O pivô é a mudança de direção girando sobre o metatarso. A progressão é:
| Etapa | Giro |
|---|---|
| 1 | Pivô de 90 graus |
| 2 | Pivô de 180 graus |
| 3 | Pivô de 360 graus, com marcação de cabeça |
Do pivô nascem o S, em que a conduzida pivoteia a cada mudança de direção, e o oito, que são dois S seguidos. Bolero, samba de gafieira e zouk são os melhores estilos para treinar.
TAC 09: torções e dissociações
Dissociar é mover uma parte do corpo de forma diferente da outra, separando o que acontece em cima do que acontece embaixo.
- Sozinho: a perna direita passa pela frente, abre, faz pivô pelo trás e abre de novo, enquanto o tronco mantém a direção.
- A dois: o condutor circula em torno do eixo da conduzida, num oito circular.
É a dissociação que permite dançar o ritmo e o contratempo ao mesmo tempo.
TAC 10: cambrê
O cambrê é a hiperextensão do corpo para trás, e é a técnica que mais exige progressão. São seis estágios:
- cervical;
- torácica;
- lombar;
- tirar o calcanhar;
- soltar o joelho;
- cambrê completo.
Encaixe o bumbum antes de começar. Na dança a dois, a conduzida segura o parceiro de baixo para cima. E existem variações mais seguras: o chicote, que vai só até o meio, e a mesa, com o joelho dobrado, para quem tem a lombar sensível.
Segurança em primeiro lugar
Contrapeso e cambrê envolvem peso e coluna. Três regras:
- Nunca pule estágios. Só avance quando o anterior estiver estável.
- Combine antes com o parceiro. Em técnica de peso compartilhado, os dois precisam estar prontos.
- Dor é sinal para parar. Técnica bem feita não machuca.
Seu treino da terça
No plano semanal das TACs, a terça é o dia das técnicas de movimento. Sugestão:
- Aquecimento (TAC 01).
- Dez minutos de perna de flecha.
- Dez minutos de pivô de 90 e 180 graus.
- Com parceiro: contrapeso de frente e de lado.
- Três músicas seguidas (TAC 05), usando o que treinou.
Este é o segundo grupo das TACs. Antes dele vêm os fundamentos do corpo. E o contrapeso conversa diretamente com equilíbrio na dança.
Perguntas frequentes
Como fazer pivô na dança de salão?
O pivô é a mudança de direção girando sobre o metatarso, a parte da frente do pé. Comece com 90 graus, depois 180 e só então 360, marcando a cabeça em um ponto fixo. Bolero, samba de gafieira e zouk são os melhores estilos para treinar pivôs, S e oitos.
Como fazer cambrê com segurança?
Em estágios: primeiro a cervical, depois a torácica, a lombar, tirar o calcanhar, soltar o joelho e, por último, o cambrê completo. Encaixe o bumbum antes e, na dança a dois, a conduzida segura o parceiro de baixo para cima. Para lombar sensível, use variações mais seguras.
O que é contrapeso na dança a dois?
É afastar o centro do corpo de forma controlada, usando a força entre os dois parceiros. Com os pés próximos e os antebraços seguros, os dois se afastam como se fossem sentar num banquinho. O condutor projeta o quadril e a conduzida encaixa as escápulas.
O que é dissociação na dança?
É mover uma parte do corpo de forma diferente da outra, separando o tronco das pernas. Ela permite, por exemplo, que o tronco mantenha uma direção enquanto as pernas mudam, e é o que torna possível dançar o ritmo e o contratempo ao mesmo tempo.
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Professor Marcelo Grangeiro ensina dança há 25 anos e já atendeu mais de 54 mil alunos. Criou o Método Dança Plena e os 7 Passos Universais, e é diretor coreográfico do quadro Dança dos Famosos. Aqui ele escreve para quem quer aprender a dançar, do primeiro passo à pista. Conheça a trajetória.